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MINHAS EFÊMERAS IDEIAS

Por: | 12:10 Deixe um comentário
Sabe aquele dia que você acorda de um jeito que acha que não deveria ter saído da cama?
Aquele dia em que você clama por inspiração? Por uma luz no fim do túnel?

Sento-me, deposito na mesa minha xícara de café, meu cigarro e minhas quatro canetas pretas compradas na única loja de 1,99 que ainda existe.

Tenho que escrever algo! 
Respiro fundo e começo a traçar as primeiras letras. Uma após uma, elas começam a surgir. A ideia começa a tomar forma e tudo parece tranquilo. Até que uma catástrofe acontece!

De repente todas as letras, palavras, ideias, frases e pontos de exclamações resolvem fugir.
Corro desesperadamente atrás delas pelo meu quarto, mas como num jogo de pega-pega elas escapam.
Pulando sobre minha cama, as minhas ideias riem de mim... Da minha expressão agoniada.
As minhas ideias efêmeras já não me obedecem mais. As palavras, o ponto e a crase que antes habitavam em minha mente, mudaram-se sem ao menos dizer tchau.
E agora, temo pelo o que antes era um terreno fértil e agora jaz sem vida, sem água, sem sombra, sem cuidado e com cicatrizes dignas da mais seca caatinga.

Então, minhas ideias param, sentam-se e me fitam com um olhar austero e um sorriso esguio.
Constrangido com essa expressão, tento estabelecer um diálogo com elas.

- Voltem pra mim - Digo suplicante.
Elas permanecem imóveis, irredutíveis, inóspitas, insípidas e inférteis.

Depois de muita conversa, minhas ideias acompanhadas dos pontos, crases e virgulas e todos os outros rebeldes, decidem regressar até mim.
Mas, com uma condição;
Eles me usariam, e não o contrário.

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